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Como a terapia modifica o cérebro

  • Foto do escritor: Lucas Vedovi
    Lucas Vedovi
  • 26 de nov. de 2025
  • 4 min de leitura

Nos últimos 20 anos, tem sido possível investigar o funcionamento cerebral e o tratamento em indivíduos portadores de transtornos mentais, graças ao desenvolvimento de técnicas de neuroimagem, como as Tomografias e a Ressonância Nuclear Magnética. Como as técnicas

de neuroimagens não são invasivas, elas nos permite conhecer as estruturas do cérebro e o funcionamento neural em pessoas vivas.


Estudos científicos já apontam que pessoas portadoras de quadros como a ansiedade, a depressão e o estresse pós-traumático, possuem alterações na química, estrutura ou funcionamento de certos circuitos neuronais do cérebro. Sabendo dessa informação, pesquisas da neurociência tem buscado entender quais os efeitos que a psicoterapia pode ter no cérebro.

Algumas investigações já mostram que pessoas que passam pelo processo da psicoterapia tem mudanças neurais relacionadas a melhoras de sintomas. Mudanças de comportamento e pensamento alcançadas através do processo terapêutico são possíveis pela reestruturação de rotas neurais que estavam alteradas.


A psicoterapia tem como intuito modificar pensamentos, comportamentos e emoções que são desadaptativos ou disfuncionais. Segundo a neurociência, a modificação desses elementos devem estar relacionadas a mudanças na forma como o cérebro de um indivíduo processa informações.


Nossa personalidade, nossas histórias de vida e nossas formas de reagir a determinadas situações ficam todas guardadas em nossas memórias para que possam ser evocadas mais tarde, quando necessário. Na psicoterapia, as memórias são reorganizadas de uma maneira significativa e consolidadas novamente por estruturas cerebrais ( hipocampo e lobos frontais). Ter emoções, falar sobre elas, expressá-las e ligar tudo isso a uma lembrança tem consequências positivas e de longo prazo para a qualidade de vida.


Um estudo realizado com portadores de depressão que não faziam uso de medicamento mostrou que a psicoterapia promove um aumento global na ativação de regiões cerebrais envolvidas na expressão das emoções, tais como o córtex pré-frontal ventromedial, a amígdala, o núcleo caudado e hipocampo.

Já outra pesquisa realizada na Universidade da Califórnia mostrou, através de estudos de neuroimagem, que pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo que passaram por psicoterapia tiveram uma redução da atividade metabólica no núcleo caudado (estrutura que tem um papel importante no sistema de aprendizado e memória) e com efeitos de psicoterapia comparáveis com tratamentos farmacológicos.


Em pessoas com fobias específicas, os estudos de neuroimagem mostraram uma diminuição da atividade em áreas límbicas e paralímbicas do cérebro que são responsáveis pelo controle emocional, do comportamento e pela memória.


Já noTranstorno do Pânico, pesquisas mostraram alteração no lobo pré-frontal ( responsável pelo julgamento, tomada de decisão e flexibilidade mental) e áreas do sistema límbico(responsável pelo processamento das emoções).


Quando se compara a ação dos medicamentos com a da psicoterapia, estudos de Apostolova et al. 2010 sugerem que alguns antidepressivos restauram a capacidade de determinadas áreas do cérebro, porém, tal benefício só se mantém duradouro se o paciente tiver uma mudança nos seus padrões, tais como comportamentos, pensamentos, emoções - mudança esta obtida através da psicoterapia.


Todos esses estudos reforçam que a psicoterapia se apresenta como um método eficaz para tratamento dos transtornos emocionais e mentais, tendo uma importante influencia no funcionamento dos circuitos neurais do cérebro.

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